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“Para empreender é preciso muita atenção aos riscos”, alerta presidente do CRC-SC#

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“Para empreender é preciso muita atenção aos riscos”, alerta presidente do CRC-SCVer imagem ampliada
O governo catarinense comemorou mês passado a abertura de mais de 100 mil novas empresas no ano em SC, como sinal de melhora da economia. Mas o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-SC), Marcello Seemann, alerta para a necessidade de fazer planejamento porque empreender envolve muitos riscos. Também consultor para negócios, Seemann conta que de cada 10 projetos que analisa, oito recomenda não abrir em função de riscos. Confira a entrevisa.

Tivemos um recorde de novas empresas no Estado. Que conselho dá aos empreendedores?

Qualquer um que queira abrir qualquer negócio precisa fazer uma consultoria e um planejamento. Muitas vezes o empresário chega para o profissional contábil e acha caro a consultoria e a abertura de empresa. Mas para empreender é preciso muita atenção aos riscos. Na nossa empresa contábil, de cada 10 clientes com plano de nova empresa, para oito recomendamos não abrir o negócio com base em análise técnica.

As pessoas ficam desempregadas e abrem uma empresa. A pessoa acha que nós, consultores, somos pessimistas. Até um carrinho de pipoca dá dinheiro, mas é preciso planejamento. No caso da pipoca, num dia de chuva a pessoa não vende. Isso é custo. O resultado desse negócio será de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês. Mesmo que a pessoa opte por um MEI, quando abre a empresa tem custo de luz, água e telefone. Já começa com R$ 50 de dívida. É possível abrir uma empresa imediatamente, mas, muitas vezes, está se criando um enorme problema para aquela família.  

Então, na maioria das vezes aconselha a buscar um novo emprego?

Com certeza. Recomendo buscar um novo emprego.

Quem mais necessita de consultoria para empreender?

Pessoas com baixa renda. Muitas vezes, os órgãos governamentais só olham os novos números de CNPJ. Muitas pessoas não gostam de ouvir como conselho de que o melhor é não abrir empresa. Procuram outro escritório e abrem. Mas depois de um ano ou dois, eles vêm para mim dizer que eu estava com a razão, que perderam a economia da família toda. É preciso analisar "N” variáveis.  

Como o desemprego impacta?

Temos muitas lojas fechando. Só para dar um exemplo. Uma loja com 10 postos de trabalho fecha e abre-se 10 MEIs. Isso é um crime que estão fazendo com a sociedade, estragando a economia. Muitos MEIs estão fora da legislação. Temos microempreendedor fazendo compras de R$ 300 mil por mês. Esse já era microempresa há muito tempo. Por questão de sobrevivência, sonega. O MEI é uma porta de entrada. Não é para um negócio maior. No interior, uma família fecha um negócio, o pai abre um MEI, a mãe e o filho fazem o mesmo, abrem um MEI para cada um. Muitos não pagam imposto. Essa não é a melhor solução.

Há um exagero de MEI? E as outras empresas?

Sim, há um exagero. Muitos abrem um CNPJ, fecham e abrem outro logo mais. Vamos ver quem está adimplente, quem sobreviveu. Se tirarmos o MEI da estatística, teremos um decréscimo de novos CNPJs no Estado. É uma evolução de quase zero.

Fonte:nsctotal.com.br